Méier
e Engenho de Dentro: dos coretos às serenatas no ritmo do trem
resenha de renata martins de souza
O livro Bairros
do Rio: Méier & Engenho de Dentro faz parte de uma coleção
editorial que abrange diversos bairros diferentes e incita o morador
a desbravar o local onde mora, redescobrindo sua história, opções
de lazer, características culturais e sobretudo, a reconhecer
a “imagem” do bairro, o que reforça os sentimento
de saudosismo e orgulho do morador em relação à sua vizinhança.
Além disso, apresenta uma versão paralela para o inglês, mapas
e endereços, o que facilita os turistas brasileiros e estrangeiros
a criarem seus próprios roteiros para conhecer o bairro. O projeto
foi viabilizado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro com
realização do SESC Rio de Janeiro.
Logo no início
da publicação, nos deparamos com um texto apaixonado de Vera Dias,
arquiteta e moradora do Méier, ressaltando a importância do morador
para a história do bairro. Apresenta-nos de tal forma que se pode
sentir a paisagem, ouvir os sons nas ruas, quase sentir o cheiro
dos jardins e das padarias. Se seguem cinco capítulos caracterizando
a região.
No primeiro,
“A história do Méier e do Engenho de Dentro” nos leva
de volta no tempo, direto ao século XVIII, quando os jesuítas
eram os maiores donos de terras na região conhecida como suburbana
do Rio de Janeiro. Época da produção de melaço e açúcar para exportação,
e momento no qual surgem os primeiros engenhos, que mais tarde
darão origem aos bairros do Méier e Engenho de Dentro. Com a expulsão
da Ordem da Companhia de Jesus e o confisco de suas terras, e,
principalmente, com o declínio da cana-de-açúcar, os grandes engenhos
da região se fragmentaram em fazendas, que foram desmembradas
novamente com a chegada do trem. O livro nos trás em detalhes,
o nome das famílias e seus membros, mostrando sua importância
para as mudanças ocorridas na história dos bairros; aborda como
a chegada da Estrada de Ferro foi importante para o crescimento
da região; e fatores como o surgimento das oficinas de trens de
Engenho de Dentro, dos clubes dramáticos, grêmios esportivos,
e outros fatores que caracterizavam o bairro e são até hoje motivo
de orgulho de seus moradores, como as serenatas, os blocos de
carnaval e o cinema, como o famoso Imperator. A modernização ocorrida
a partir de 1950 introduz o segundo capítulo: “Méier e Engenho
de Dentro Hoje”.
Descritivamente,
o livro retrata como a desordenada expansão dos bairros, ocorreu
principalmente devido à relação destes com a linha férrea. A imensa
movimentação nas oficinas de trens na década de 60 e a chegada
dos shopping centers, a facilidade dos acessos com a construção
da Linha Amarela, a construção do Engenhão, e posteriormente a
desaceleração do comércio que fez com que a população ficasse
saudosa dos tempos passados, já que os bairros perderam ao longo
do tempo suas opções de cultura e lazer, como o fechamento do
Imperator. Mesmo com o abandono em algumas áreas, a esperança
vem sendo reascendida nos corações suburbanos, com a chegada do
Rio Cidade, os moradores se viram novamente ansiosos pelas melhorias,
que acreditam ir chegando aos poucos, como a criação de ruas de
pedestres; o teatro de bonecos e marionetes, uma tradição no local;
a revitalização do Jardim do Méier e a chegada do Engenhão no
bairro de Engenho de Dentro, uma das sedes dos Jogos Pan-americanos
Rio 2007.
No capítulo
seguinte, “Uma volta pelo Méier e Engenho de Dentro”,
o livro apresenta pequenos mapas, com indicação de lugares importantes
para a região e interessantes de se conhecer. Localizados nos
arredores das ruas Dias da Cruz e Arquias Cordeiro, no Méier,
ainda conta com um subcapítulo sobre Engenho de Dentro. Além de
algumas imagens e um pequeno histórico, algumas ainda constam
de endereço e telefones. Terminando o livro, há ainda um pequeno
guia com dicas gastronômicas, de cultura e lazer, e uma relação
dos shopping centers e grandes lojas, além de um guia de serviços.
Com este livro
nas mãos, qualquer um sente-se capaz de entender o surgimento
e crescimento do bairro, e ainda arriscar possíveis mudanças futuras.
Além de estar familiarizado com os bairros, o que torna ainda
mais fácil uma visita à região para conhecer os lugares sugeridos
pelos autores deste projeto.
Renata
Martins de Souza é estudante de arquitetura e urbanismo da Universidade
Federal Fluminense e bolsista de iniciação científica –
CNPq, no grupo de pesquisa interdepartamental “Grandes Projetos
de Desenvolvimento Urbano”, GPDU, da Escola de Arquitetura
e Urbanismo da UFF.
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